Análise de mais de 40 mil internações em UTIs, entre 2015 e 2024, é a maior já realizada na América do Sul sobre a doença
Quem tem mais idade, apresenta fragilidades de saúde ou mostra sinais iniciais de queda de pressão enfrenta um risco maior de morrer em decorrência da dengue grave no Brasil. A conclusão é de um estudo conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, que examinou mais de 40 mil internações em unidades de terapia intensiva ao longo de nove anos, de 2015 a 2024. Segundo os autores, trata-se da maior investigação sobre o tema já feita na América do Sul.
Os pesquisadores cruzaram dados de duas fontes nacionais: o registro “UTIs Brasileiras” e a base administrativa do DATASUS.
O peso da idade
Os números do registro de UTIs mostram um salto expressivo na letalidade conforme a idade avança. Entre pacientes de até 40 anos, a taxa foi de 3,5%; entre os maiores de 65, chegou a 14,4%. Já nos dados do DATASUS, a mortalidade nessa faixa etária atingiu 30%.
Fragilidade e pressão arterial como sinais de alerta
Pacientes classificados como frágeis no momento da internação tiveram mortalidade de 17%, e 35% deles conviviam com ao menos uma doença crônica ativa. O cenário se agrava ainda mais entre os que precisaram de medicamentos para sustentar a pressão arterial nas primeiras 24 horas de UTI: nesse grupo, a taxa de óbitos foi de 55,4%.
Informação para melhorar o atendimento
Para Luciano Azevedo, pesquisador da Academic Research Organization do Einstein, os achados podem apoiar a organização do cuidado, levando em conta o histórico clínico e a gravidade de cada paciente. O estudo também aponta que quanto mais grave é o quadro na chegada à UTI, maior a chance de morte.
Azevedo ressalta que conhecer melhor como esses casos são atendidos é fundamental diante da possibilidade de aumento das infecções nos próximos meses.
A pesquisa foi publicada na revista científica internacional Journal of Critical Care.




