O avanço da frota de veículos elétricos e híbridos no Brasil vem acompanhado de um novo desafio para especialistas em segurança elétrica: o aumento dos registros de incêndios relacionados ao carregamento doméstico desses automóveis. Embora estudos internacionais apontem que veículos elétricos apresentam menor índice de incêndios em comparação aos modelos movidos a combustão, episódios recentes no país acenderam um sinal de alerta para riscos ligados, principalmente, às instalações elétricas inadequadas.
Entre 2025 e 2026, autoridades e órgãos técnicos identificaram que grande parte dos incidentes ocorreu durante processos de recarga em residências e condomínios. O uso de tomadas comuns, extensões improvisadas e adaptadores elétricos aparece entre as principais causas dos acidentes.
Outro fator recorrente envolve falhas em instalações de carregadores do tipo wallbox sem circuito exclusivo ou sem dispositivos de proteção contra sobrecarga e curto-circuito. Em condomínios, o problema também está associado à infraestrutura elétrica antiga, muitas vezes incapaz de suportar a nova demanda energética provocada pela expansão da mobilidade elétrica.
Especialistas também monitoram episódios raros relacionados à chamada “fuga térmica” das baterias de íons de lítio. Nesses casos, falhas no sistema de gerenciamento da bateria podem provocar superaquecimento em cadeia nas células internas, aumentando o risco de incêndio.
Nos últimos meses, alguns casos ganharam repercussão nacional. Em março de 2026, um carro elétrico incendiou-se durante a recarga no subsolo de um condomínio em Teresina (PI), causando prejuízos estimados em R$ 1 milhão. Já no Distrito Federal e em estados do Sul do país, ocorrências envolvendo modelos como o BYD Dolphin chamaram atenção após registros de incêndios em garagens e até em vias públicas.
Em Palmas (TO), um incêndio residencial registrado em maio de 2026 foi associado à ligação de carregadores automotivos em sistemas de energia solar sem adequação técnica.
Diante do aumento das ocorrências, o Corpo de Bombeiros e entidades técnicas passaram a reforçar recomendações e exigências para instalações de recarga. Entre as principais orientações está a utilização de estações fixas do tipo wallbox, conectadas a circuitos exclusivos e protegidas por dispositivos DR e DPS.
As instalações também devem seguir normas da ABNT, especialmente a NBR 17019, que estabelece critérios para suportar a elevada demanda energética dos carregadores veiculares. Técnicos alertam ainda que improvisos elétricos, como “benjamins”, extensões e ligações clandestinas, representam alto risco de incêndio.
Outra recomendação considerada essencial é a validação do projeto elétrico por engenheiros habilitados, com emissão de ART ou RRT, tanto em residências quanto em condomínios.
Apesar da repercussão dos incêndios envolvendo carros elétricos, especialistas destacam que veículos movidos a gasolina ainda apresentam maior probabilidade estatística de pegar fogo. A principal diferença está no comportamento das chamas em baterias de lítio, que exigem métodos específicos de combate e grandes volumes de água para resfriamento.




