O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no último domingo, durante entrevista coletiva em Nova Déli, na Índia, que encaminhou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informações sobre um brasileiro que, segundo ele, seria o “maior devedor do país” e estaria residindo em Miami, na Flórida.
Apesar de não citar o nome de forma explícita, o empresário mencionado é Ricardo Magro. Ele é proprietário da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, localizada no Rio de Janeiro. Magro é investigado sob suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de sonegação fiscal no setor de combustíveis. Sua empresa foi alvo da Operação Carbono Oculto, considerada uma das maiores iniciativas de combate a fraudes tributárias associadas ao mercado e ao crime organizado. Até o momento, ele não foi condenado pela Justiça nesses casos e não há mandado de prisão em aberto contra ele. O empresário nega qualquer irregularidade e afirma que discute judicialmente as cobranças feitas pela Receita Federal.
Após a operação que atingiu empresas do segmento, Magro declarou ter recebido ameaças e sustentou que suas companhias não praticam sonegação, mas contestam valores cobrados pelo Fisco.
O dono da Refit também chegou a ser preso em 2016, no âmbito de uma investigação sobre fraudes em fundos de pensão. Na ocasião, apresentou-se à Polícia Federal após ter sido considerado foragido. Segundo o Ministério Público Federal, os desvios apurados à época somavam ao menos R$ 90 milhões. O nome de Magro também apareceu nos Panama Papers, investigação internacional que revelou a existência de empresas offshore em paraísos fiscais. Ele ainda foi investigado por suspeita de corrupção na Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas o caso foi posteriormente arquivado.
Magro também atuou como advogado do ex-deputado Eduardo Cunha, defendendo o então presidente da Câmara dos Deputados, preso em 2016 sob acusação de desvios em fundos de pensão. Anos depois, Cunha foi absolvido.



